Inspeção do trabalho para a promoção do trabalho decente na cadeira produtiva do algodão é tema de oficina de capacitação no Mali
Inspetores e inspetoras do trabalho malineses participaram do treinamento, que abordou técnicas de identificação de déficits no trabalho decente e o monitoramento de trabalho infantil no país.
Promovida no escopo do acordo de cooperação sob o Projeto Algodão com Trabalho Decente, a iniciativa de troca de conhecimentos foi uma das atividades realizadas durante a missão ao país africano, organizada pela OIT, em parceria com a Secretaria Especial de Previdência e Trabalho (SEPRT), do Ministério da Economia, a Agência Brasileira de Cooperação (ABC), do Ministério das Relações, e o governo de Mali.
Entre os dias 5 e 7 de fevereiro, 30 inspetores e inspetoras do trabalho malineses participaram do treinamento, que abordou técnicas de identificação de déficits no trabalho decente, temas como saúde e segurança e o monitoramento de trabalho infantil no país.
"O trabalho infantil deve ser erradicado, porque constitui uma violação dos direitos fundamentais das crianças e um obstáculo ao desenvolvimento econômico de nosso país. Esta formação permitirá que a inspeção do trabalho do Mali se beneficie do conhecimento da inspeção do trabalho do Brasil no tema do grupo móvel de combate ao trabalho infantil e permitirá a transferência intelectual de conhecimentos e de técnicas para o combate ao trabalho infantil no algodão", disse Dr. Fassoun Coulibaly, Diretor Nacional do Trabalho do Ministério do Diálogo Social, Trabalho e Função Pública do Mali.
"Gostaria de agradecer ao Governo Brasileiro, em especial, à ABC, por todos os esforços que têm sido envidados para a promoção na cadeia do algodão que é tão essencial na economia de nosso país", acrescentou ele.
Compartilhamento de conhecimentos
"A inspeção do trabalho tem um papel fundamental na promoção do trabalho decente, pois além de garantir os direitos dos trabalhadores e trabalhadoras, atua na repressão contra as duas principais antíteses do trabalho decente: o trabalho infantil e o trabalho forçado", disse Fernanda Barreto, Coordenadora do Programa de Cooperação Sul-Sul OIT-Brasil.
A oficina foi ministrada pelo auditor fiscal do trabalho brasileiro da SEPRT, Rogério Santos. Ele destacou que a estratégia de enfrentamento ao trabalho infantil, que possibilitou ao Brasil reduzir o índice de trabalho de crianças e adolescentes de quase 8 milhões para menos de 2,5 milhões no período 1992 a 2015, foi repassada cuidadosamente aos inspetores do trabalho malinenses e às autoridades trabalhistas do país.
"Houve um grande interesse do Mali em conhecer melhor as políticas públicas brasileiras que ajudaram no combate ao trabalho infantil: transferência direta de renda (bolsa família) e aprendizagem profissional (jovem aprendiz); além de estratégias utilizadas pela fiscalização de trabalho, tais como: grupo móvel de combate ao trabalho infantil; trabalho integrado em rede de proteção aos direitos das crianças e dos adolescentes, diálogo social com os principais atores envolvidos com a problemática e também sistema informatizado de fiscalização do trabalho (sfitweb)." disse ele.
A OIT implementa o "Projeto Algodão com Trabalho Decente - Cooperação Sul-Sul para a Promoção do Trabalho Decente nos Países Produtores de Algodão da África e da América Latina" com a ABC e o Instituto Brasileiro do Algodão (IBA). O projeto é desenvolvido em parceria com cinco países produtores de algodão: Paraguai, Peru, Mali, Moçambique e Tanzânia.
"A OIT é uma organização centenária e tem um papel fundamental neste arranjo de Cooperação Sul-Sul Trilateral, pois além de ter uma composição tripartite, tem muita expertise e conhecimento técnico para aportar ao Projeto", disse Mônica Noleto, representante da Agência Brasileira de Cooperação (ABC).
A missão técnica ao Mali começou na última segunda-feira (3) com a assinatura do Projeto que busca promover o trabalho decente na cadeia produtiva do algodão no país, por meio de sistematização, compartilhamento e adaptação de experiências brasileiras de combate ao trabalho infantil por intermédio de inspeção do trabalho.